Primeiro Capítulo

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Primeiro Capítulo

Mensagem por Admin em Sex Maio 22, 2015 10:10 pm

Cena 01 – BAR DOS TONHÓS, Morro do Alemão.
Fernando começa a fechar as portas do bar, pois já era tarde da noite.
 
FERNANDO – Poxa vida. Esse bar está consumindo muito da minha felicidade. Não fazemos nada a noite a muito tempo.
LUIZ – Verdade. Pior que cada vez o lucro aqui está caindo, não estou vendo nada de interessante aqui.
ROBERTO – Vocês não estão pensando em vender né, galera? Batalhamos duro para conseguir pagar a última prestação do financiamento desse local.
LUIZ – Claro que não, né! Só precisamos mais aproveitar nossas vidas antes de morrer.
FERNANDO – Está decidido, vamos tirar um mês de férias, assim, aproveitamos a vida e ainda teremos ideias para aumentar o lucro para o bar, quem está comigo?
LUIZ – Eu, claro! Aleluia senhor.
ROBERTO – Então tá  né, eu topo também.
FERNANDO – Férias, finalmente.
 
Todos começam a rir.
 
Cena 02 – CASA DA FAMÍLIA DE SIMONE, Barra da Tijuca
Simone, seu pai Carlos Eduardo e sua mãe Marilene na sala de jantar juntos enquanto assistem à televisão.
 
NOTICIÁRIO – Uma pesquisa feita nessa semana pelo jornal “Estadão” mostra que o Morro do Alemão é a região onde tem a maior porcentagem de criança fora da escola e com condições precárias.
SIMONE (indignada) – Olha isso, meu Deus! Ainda não acredito que essa precariedade ocorre no Brasil.
NOTICIÁRIO – Segundo os dados, 68% das crianças não frequentam a escola e...
 
Marilene desliga a televisão.
SIMONE – Por que fez isso?
MARILENE – Não aguento ver a notícia dessas pobraiada. A verdade é que: todos lá são vagabundos e trombadinhas.
SIMONE – Nossa você hein? Vou te falar. Acho que seus anos de estudos em escola particular, faculdades e cursos técnicos não lhe ajudou em nada.
MARILENE – Ué, só falei a verdade.
CARLOS EDUARDO – Chega vocês duas. Tenho uma grande novidade da empresa.
MARILENE – Conta meu amor.
CARLOS EDUARDO – Mês passado a Juntys bateu recorde de lucro.
SIMONE – Sério? E o que fará com isso? Invista em crianças carentes, pai.
CARLOS EDUARDO – Você está louca, né? Investirei na empresa, para crescermos mais e mais!
SIMONE – Vocês são  tudo iguais. Com licença.
 
Simone se retira para seu quarto. Ainda na mesa de jantar.
 
MARILENE – Cadê essa empregada imprestável?
LUDICLÉIA – Pois não, senhora.
MARILENE – Pois não? Estou aguardando a janta ficar pronta logo. Ou será que precisarei chamar uma outra pra ocupar seu lugar?
LUDICLÉIA – Desculpa senhora. Só mais um minutinho.
MARILENE – Espero, mas anda logo.
 
Ludicléia volta à cozinha.
 
CARLOS EDUARDO – Minha castanha de caju.
MARILENE – Oi, meu docinho de coco.
CARLOS EDUARDO – Estava pensando aqui...
 
Carlos Eduardo é interrompido por um barulho na cozinha. Ele e Marilene vão correndo ver o que aconteceu.
 
MARILENE – Sua imprestável, desgraçada. Sabe quando me custou um prato desse? Mil dólares, isso mesmo, mas você não sabe o que é, né?
LUDICLÉIA (chorando) – Desculpa senhora, desculpa. Por favor, me desculpa. Acabei torcendo meu pé.
MARILENE – Vai, limpa agora tudo isso.
CARLOS EDUARDO (cochichando) – Calma mulher, acalme os ânimos. Vamos, vou te levar a um restaurante novo que inaugurou recentemente lá em Copacabana, vai lá se arrumando.
 
Marilene vai para o quarto se arrumar, mas Carlos Eduardo continua na cozinha.
 
CARLOS EDUARDO (bravo) – Levante!
LUDICLÉIA – O que quer senhor?
CARLOS EDUARDO – Levante. Você é SURDA?
 
Ludicléia levanta e Carlos pega ela pela gola do uniforme.
 
CARLOS EDUARDO – É bom você ficar atenta no que faz aqui, ouviu bem? Você já está ficando velha demais para ser a empregada, e morar de favor aqui você não fica. Ouviu bem?
LUDICLÉIA (com dificuldades a respirar) – Ouvi...sim... senhor!
CARLOS EDUARDO (soltando-a sem dó) – Agora limpe tudo ai (cuspindo no chão). Quando voltar não quero ver nenhuma molécula de vidro no chão. E saiba que esse prato vai custar do seu salário.
 
Carlos Eduardo e Marilene vão para o novo restaurante em Copacabana.
 
CENA 03 – CASA DE FERNANDO, Morro do Alemão.
Fernando acaba de chegar em casa.
 
FERNANDO – Oi mãe.
NEIDE – Oi, meu filho.
FERNANDO – Estou exausto, mas tenho uma novidade.
NEIDE – Qual filhinho?
FERNANDO – O bar entrou de férias por um mês.
NEIDE – Como assim filho? Esqueceu que ele e meu emprego são a nossa única fonte de renda?
FERNANDO – Putz, é verdade né. Poxa, mas estou tão cansado.
 
Nessa hora chega Nicolau e Dirceu, irmãos mais novos de Fernando.
 
DIRCEU – Oêê mainha.
NEIDE – Vocês estão bêbados?
DIRCEU – A gente? Que nadá.
NEIDE – Estão sim. Vocês não tomam jeito, hein? Eu e seu irmão ficamos trabalhando o dia inteiro para sustentar a casa e vocês ai torrando o pouco que ganhamos.
FERNANDO (aumentando o tom) – Mas mainha, acho que já temos a solução.
NEIDE (sacando a solução) – Aaaah. Entendi tudo agora.
 
Depois de conversarem em família:
 
DIRCEU – Não! Eu me recuso trabalhar naquele barzinho. É muita decadência para mim.
NICOLAU – E para mim então? Cursei quatro anos de Engenharia da Computação para trabalhar em barzinho? Jamais!
NEIDE – Então tratem de arrumar um emprego, porque não quero que o Fernando fique dando duro para sustentar vocês. Ou isso ou vocês estão fora dessa casa.
DIRCEU – Você está sendo muito rígida com a gente mainha.
FERNANDO – Me poupem vocês dois. Quem vê pensa que são crianças de dez anos de idades. Vocês já estão grandes até demais para aprenderem a trabalhar.
DIRCEU – Se esse é o único jeito, então tá.
 
Cena 04 – CASA DA FAMÍLIA DE SIMONE, Barra da Tijuca
Simone desce de seu quarto e vê a casa escura e sem ninguém, então vai até a cozinha e vê Ludicléia chorando bem baixinho.
 
SIMONE – Ludi?
LUDICLÉIA (enxugando as lágrimas) – Oi,senhora!
SIMONE – Não precisa me chamar assim. Me chame de Simone.
LUDICLÉIA – Perdão.
SIMONE – Porque estava chorando?
LUDICLÉIA – Eu? Eu não estava chorando, não.
SIMONE – Estava sim que eu vi. Foram meus pais? Se for não liga para o que eles dizem.
LUDICLÉIA – Não foi não, é de mim mesmo. Quebrei o prato que custou mil dólares de sua mãe.
SIMONE – Mil dólares? (gargalhadas) Ela deve ter falado isso para te deixar mais humilhada. Mas não fique assim. Venha, vou te levar para seu quarto.
LUDICLÉIA – Não, ainda tenho que arrumar isso aqui.
SIMONE – Sossega. Deixa ai que eu termino. Você está exausta. Isso é uma ordem!
LUDICLÉIA – Ok então. (olhando no rosto) Obrigado pelo seu carinho.
 
Enquanto Simone leva Ludicléia até seu aposento, Carlos Eduardo e Marilene chegam.
 
CARLOS EDUARDO – Bonito vocês duas hein? Ludicléia limpou o que tinha que limpar?
MARILENE (já na cozinha) – Pelo jeito não, hein mozão. Olha quanta louça ainda pra lavar.
CARLOS EDUARDO – Estava indo para o quarto porque então?
SIMONE – Para vocês dois. Eu estou levando ela para o quarto porque ela não está bem. Deixa que eu continuo a arrumar a cozinha.
CARLOS EDUARDO – Você nada. Eu quero que você suba para o seu quarto agora, e isso é uma ordem.
SIMONE – Ok então, mas se vocês fizerem alguma coisa contra ela vocês vão se ver comigo. (cochichando para Ludicréia) Me desculpa.
 
Simone sobe e então Ludicréia volta à cozinha, junto a Carlos Eduardo.
 
CARLOS EDUARDO – O que foi que eu disse a você?
LUDICRÉIA – Me desculpe senhor. Sua filha insistiu.
CARLOS EDUARDO – Bom saber que ela manda mais em você do que eu. Pede agora para ela pagar a comida que você vai comer amanhã, por que de mim não vai sair nada.
 
Carlos Eduardo vai dormir, enquanto Ludicréia termina de arrumar a cozinha.
No amanhecer do outro dia, Simone levanta e ouve um barulho vindo da cozinha, e fica assustada com a cena que vê ao chegar lá.

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